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Almir

Almir é o mais conhecido tocador de cavaquinho da Reserva. Quando iniciou seu aprendizado ele era tão interessado pelo instrumento que desenvolveu habilidades musicais que poucos na região têm. “O que eu aprendi foi que nem fogo em palha, subiu de uma hora pra outra. Eu aprendi logo tudo que eu soube, de repente. O meu sonho era ser uma pessoa que tocasse. Eu gostava de ver uma música solada, aqueles cantores que tocavam música solada. E eu achava muito bonito e tinha vontade de aprender. Porque aquele negócio de bate-bate assim, aquilo ali é fácil de aprender. De repente uma pessoa aprende. Aprendeu o tom e aprendeu a tocar no ritmo daquele som, já canta a música. E o solo não é pra todo mundo não, é fazendo e desfazendo. Terminou, acabou-se tudo. Tá tudo desfeito aquilo ali. O solo é diferente, precisa de uma memória melhor pra fazer. Aí eu tinha muita vocação por aquilo ali”.

Por sua fama de bom tocador, Almir sempre era lembrado para animar as festas dos seringais junto com seu irmão Peba. O problema era saber qual dos dois tocava e qual ia dançar com as moças. “Às vezes a gente ia pras festas e tocava. Ele e eu solteiros, eu queria dançar e ele também. Pros dois tocarem, quando terminasse, não tinha quem tocasse pra nós dançarmos. Eu disse: ‘Rapaz, vamos fazer disso. Eu toco cinco músicas e tu dança. Quando terminar tu vem tocar cinco pra eu dançar também, porque só tu dançando tá resolvendo só o teu problema e não tá resolvendo o meu‘. Eu queria desenvolver com as mulheres, que só com o violão não tava servindo. Aí, ele ia, tocava, e eu dançava. Aí, eu aproveitava mesmo. Quando terminava eu vinha tocar e ele ia. Mas só que as minhas custavam muito terminar, ó! E fizemos isso muitas vezes. Quando um terminava o outro pegava, até o dia amanhecer”.

Almir há algum tempo não tem mais se dedicado tanto ao cavaquinho como o fazia quando era mais novo. “Depois que se casa tem aquela coisa, mulher cria ciúme da gente sair, brincar com os amigos. Quando é solteiro você é liberto. Sai boca da noite e não tem hora de chegar. E assim você sai e quando chega a mulher faz raiva à gente. E com raiva você não aprende nada, você fica iludido. Aí, a tendência é que vai caindo a idade e vai ficando por ali mesmo, não tem como crescer. Mas eu ainda gosto dele!

Ouça: Almir e Peba – [Desconhecido] 

Ouça: Almir e Bé – [Desconhecido] 

 

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