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Banda Xote

A Banda Xote nasceu de uma brincadeira, quando o cantor Juarez juntou alguns parentes e amigos para lhe acompanhar em algumas músicas: Jonas, seu irmão, no pandeiro; seu Osvaldo, seu pai, no xeque; e os amigos Nonato na sanfona e Grilo no violão. Assim mesmo, sem nunca terem tocado todos juntos e sem ensaios prévios, eles gravaram algumas canções.
Juarez e seus irmãos tocaram muito juntos quando eram mais novos. Jonas é quem tocava e ainda toca no pandeiro, e o tocador de violão, o Antonio, hoje vive distante dos dois. Juarez conta que gostava só de cantar e que Antonio sempre o acompanhava no violão. Era uma dupla que se completava, pois dizem que o Antonio não levava muito jeito pra cantar.
Uma das características mais legais da união da Banda Xote é a diferença de idade dos músicos, que mesmo sendo de gerações distintas se entenderam muito bem na linguagem da música.
A diferença de idade entre eles se reflete nos estilos musicais que costumavam ouvir e tocar nas festas. Seu Osvaldo sublinha essas diferenças ao descrever os estilos musicais que conhece. “Tem muitas qualidades de música. Tem o xote, a valsa, a marcha, o samba, o sucesso, que é o que hoje toca mais. Tem a mazuca. Ninguém sabe mais o que é mazuca hoje, mas eu conheci ainda. Tem o xerém. Tem muitas partes que cada um tem um nome e cada um tem um jeito de dançar. Já as qualidades das músicas hoje são diferentes das músicas de primeiro. Tudo é umas músicas que eu não sei nem o que é. É um embolado danado! Eu fico escutando, mas não dá nada. Como é que pode?”.
Grilo, o mais novo da turma, explica pra seu Osvaldo quais são as músicas de hoje em dia: “Hoje é brega, forró. Tem um tal de pancadão, né, que inventaram agora. O pessoal lá de Belém do Pará que inventaram esse pancadão. É rock, sertanejo. O som de hoje em dia é mais ou menos assim”.
Nonato e seu Osvaldo contam que as músicas antigas eram tocadas nas festas, eventos muito comuns há alguns anos. Seu Osvaldo explica: “Pra fazer uma festa era a coisa mais fácil do mundo. O dono da casa convidava o povo. Convidava os conhecidos. Reunia tudinho naquele dia. Convidava o tocador pra vir tocar e se o tocador exigisse alguma coisa o dono da casa pagava de manhã, quando terminasse a festa. Aí, o pessoal vinha tudo, passava a noite todinha”. Nonato completou: “Logo uma semana antes a gente convidava o tocador, porque era o mais difícil. Às vezes tinha só um na Restauração, outro lá no Triunfo. Eram assim as distâncias. Aí, o cara ia atrás. Se não encontrasse o de acolá, que tava pra outro canto, ia atrás de outro. Aí, quando ficava certo mesmo que vinha o tocador, chamava os outros. Aí, iam duas, três noites de festa, sabe? As festas começavam às duas horas da tarde. Virava o resto do dia, entrava pela noite e o dia amanhecia. Uns iam dormir e outros ficavam dançando. E quando aqueles se acordavam os outros iam. E, aí, ia outra noite todinha de novo”.
Juarez diz que, apesar de ser mais novo, ainda pegou o tempo dessas festas. Segundo ele, hoje em dia as coisas já não são mais assim. Ele, Jonas e Grilo tentaram explicar as diferenças dessas festas com as atuais. “Pra fazer a festa, o pessoal convida também. Às vezes nem convida, só de ouvir falar já fica assim, já. Aqui no alto é mais som de aparelho, de caixa de som, DVD. Na cidade, não. Tem banda de música, conjunto. A festa vai até duas horas da madrugada, aí para, porque tem um limite lá da polícia que não pode ir até três horas, quatro horas. Agora aqui no alto não, até de manhã. Mas é a coisa mais difícil hoje em dia ter uma festa que vai até cinco horas da manhã. Quando é três horas já para, vai todo mundo embora. Antes era até sete horas, oito horas, tava todo mundo dançando”, disse Grilo.
Existe uma coisa em comum entre essas festas antigas e as novas. Os tocadores sempre têm mais atenção das mulheres, ficando mais fácil pra eles conseguirem algum namoro. Foi o caso de Nonato e, provavelmente, de muitos músicos do Alto Juruá: “O cara quando é músico, ele fica meio querido, né? Começando a tocar a gente começa a arrumar alguma coisinha por ali e logo arrumei uma esposa”.

Ouça: Banda Xote – Cabeludo

Ouça: Banda Xote – Xote Ecológico

Ouça: Banda Xote – Maurício Tava em Manaus

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