RSS

Bé aprendeu a tocar com o violão de um tio seu, que era um seringueiro muito medroso. Sabendo que o tio não gostava de andar nas estradas de seringa sozinho, Bé fez um acordo para acompanhá-lo: iria com ele desde que pudesse usar o violão quando quisesse. Foi aí que ele começou sua trajetória na música.
Depois de um tempo convivendo com o tio, a família de Bé se mudou para outra colocação de seringa, e ele ficou sem acesso a um violão. “Nessa época eu fui construir um violãozinho de pau, de madeira mesmo. Coloquei umas cordinhas de náilon e comecei a tocar. Tocar e cantar. E era o dia inteiro, tocando e cantando. E quando a gente começa a aprender uma coisa, uma arte, a gente se dedica tanto que acaba se esquecendo de fazer até as outras coisas. Então, pra mim, era uma benção, uma alegria estar tocando e cantando. Eu sempre dizia que queria ser um artista mesmo, um cantor mesmo, mas na verdade não chegou a oportunidade”.
A oportunidade de mostrar seu talento musical chegou para Bé quando ele passou a frequentar uma igreja evangélica. Logo ele se tornou o principal músico dos cultos, passando a assumir a guitarra elétrica da igreja.
Bé acredita que seu talento musical vem de família e faz tudo que está a seu alcance para incentivar seus filhos Monaira, Monarbia, Monalizia, Marcelo, Nasson, Monagila, Marcelso e Marcéias a também se desenvolverem na música desde pequenos. “Quase todos aqui em casa cantam bem. E eu creio que eles têm uma vontade, tem um talento. E com esse talento eu vejo que eles podem ser algumas pessoas no futuro da vida deles. Pode trazer uma melhoria de vida. Pode ser tornar artista mesmo. O Nasson tem vontade de ser tecladista e o Marcelso sempre fica batendo aí nas latinhas, faz uma bateriazinha de lata, caneco, fica batendo aí e acompanhando as músicas. E isso me comove muito, sabe, porque a gente não tem recurso financeiro pra realizar o sonho que eles sempre sonham de serem. Então isso me machuca muito, tá entendendo? Que nem eu fui machucado muito em ser um artista, mas por falta de recurso a gente não chega lá. Porque o nosso talento, a nossa cultura, tem que ser vista por esse mundo afora. Mostrar que nós moramos aqui na mata, mas que nós temos uma capacidade, uma inteligência, temos um talento muito grande!

Ouça: Bé – Sheila

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: