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Tonho Grilo

Grilo é um dos músicos mais versáteis do Alto Juruá. Sua dedicação e seu talento para a música permitem que ele interprete desde músicas antigas até o rock que toca atualmente nas rádios da cidade. Com seu excelente ouvido ele é capaz de tocar e acompanhar com seu violão qualquer gênero musical.
Nascido em 1978, a história de sua infância se cruza com a da criação da Reserva. Seu pai, conhecido como Chico Ginú, era delegado sindical e foi um importante líder do movimento seringueiro. Quando estava com 8 anos de idade Grilo viu o envolvimento do seu pai com a luta dos moradores crescer, o que levou Chico Ginú a passar muito tempo fora de casa. O menino, então, teve que assumir responsabilidades em casa, ajudando a sustentar seus sete irmãos.
Essas responsabilidades dividiam espaço com seu interesse pela música e ele fazia de tudo para que pudesse aprender. “Com uns 8 anos eu tinha muita vontade de tocar violão. Só que meu pai não deixava eu relar no violão dele, porque criança quando pega essas coisas assim já é pra quebrar corda. E meu pai saía e deixava o violão dele atrepado na cumieira da casa. Aí, quando ele saia de casa eu pegava o violão lá em cima e ficava lá só querendo. Até que um dia eu vi o pai afinando o violão e disse: ‘Rapaz, eu vou pegar esse violão e vou afinar esse violão pra eu tocar‘. Aí, eu peguei o violão e comecei a afinar. Não afinei cem por cento, mas eu já sabia fazer o ré e o lá. Eu fiz o ré e deu perfeitinho: ‘Rapaz, afinei o violão!‘. Mais tarde eu fiz só pegar o violão e deixei lá. À tarde o pai chegou lá e disse: ‘Quem foi que mexeu no meu violão?‘, aí eu: ‘Num sei.”
De tanto Grilo insitir em pegar o violão escondido, um dia seu pai comprou pra ele um cavaquinho, que depois seria substituído por um violão. Daí em diante Grilo seguiu aprendendo da maneira mais comum na região: observando outras pessoas e tentando imitá-las. “Eu comecei a fazer zoada no cavaquinho. Mas só que, quando eu via os outros tocarem, eu ia pra pertinho e ficava prestando atenção, observando. Aí, quando eu tinha chance de pegar um violão, eu ia fazer aquelas notas que eu tinha visto. E hoje ainda tô aprendendo assim. Se eu vir você tocar, eu vou lá e fazer aqueles arranjos que você fez, tento fazer né? Vejo as músicas na televisão, coloco no meu aparelho de DVD aí e fico só treinando. E é assim. Até hoje tô assim. Nunca fui pra uma escola de música”.

Ouça: Tonho Grilo – Capim Guiné

 

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