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Zé do Lopes

Nascido na colocação São Francisco, região onde mora até hoje, seu Zé do Lopes começou a compor músicas com a temática da floresta e do cotidiano de seus moradores. Apaixonado pela floresta, ele não cansa de declarar seu amor por ela, sempre exaltando a riqueza das matas que possibilitam a ele viver uma boa vida. “Eu tenho amor porque tem tudo quanto é de bom na floresta: tem as caças, tem as frutas, patoá, bacaba, buriti, açaí, e, se a gente tem a floresta, a gente tem tudo que tem dentro dela”.
Seu Zé tem uma potência incrível na voz para cantar. Ele diz que quando era mais novo, quando cantava na mata, tudo estremecia! “Eu cantava assim na mata e aqueles macacos que estavam com duas, três terras de distância se assombravam, saíam aos gritos”.
Essa potência de seu peito é difícil de controlar e ele costuma andar pelos lugares soltando a voz. “Eu canto em todo canto. Eu canto na mata, canto pelo rio, canto em casa. Eu canto toda hora do dia, toda hora da noite. Eu me levanto de madrugada na minha casa e vou cantar. Quando chega a vontade de cantar, eu tenho que cantar. Se eu cantar eu fico satisfeito”.
A voz, por vezes, foi sua única companheira de viagem pelas águas do rio Tejo. “Eu viajava no rio, e nesse tempo ninguém andava de motor, era de remo. Eu só andava cantando. Remando e cantando. Aí a extensão ia ficando mais perto pra chegar, porque a gente ia cantando e, quando pensava que não, já tava bem próximo do lugar que a gente ia, entretido, né?”
As viagens a remo pelo rio eram muito comuns no tempo dos patrões, quando seu Zé ainda cortava seringa: “Eu cortei seringa uns 30 anos, só que deixei de cortar e não tenho saudade não, porque era uma época em que a gente vivia humilhado pelos patrões. E hoje em dia a gente vive liberto. Se você tem um produto, vende onde você quer. E de primeiro a borracha que a gente fazia só tinha o direito de vender pros patrões. Se você vendia para outra pessoa, mas era escondido. Aí, já pensou, o que é da gente vender escondido, né? Porque se eles soubessem que você vendeu ao menos dez quilos de borracha, eles tomavam a sua colocação e botavam você pra ir embora. No seringal deles você não trabalhava mais

Ouça: Zé do Lopes – Eu Amo A Floresta (Parte I)

Ouça: Zé do Lopes – Eu Amo A Floresta (Parte II)

Ouça: Zé do Lopes – Hino do Seringueiro 

 

 

2 Respostas para “Zé do Lopes

  1. Maira Smith

    27/07/2011 at 12:55

    Oi Zé, acho que faz 14 anos desde a última vez que estive na REAJ… Hoje escutei vc cantando o hino do seringueiro e me deu uma saudade medonha! Maira Smith

     
  2. Maria Fernanda Aiello

    04/08/2011 at 18:40

    Esse blog é sensacional..ai ZÉ..VC FOI O MELHOR KKK

     

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